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O FENÔMENO L.E.R./D.O.R.T. NO BRASIL natureza, determinantes e alternativas das organizações e dos demais atores sociais para lidar com a questão Hudson de Araújo Couto RESUMO
As Lesões por Esforços Repetitivos – LER, mais recentemente designadas pela Previdência Social brasileira pela sigla DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) têm aumentado exponencialmente em todo o mundo nos últimos 25 anos, sendo por isso uma fonte de preocupação e de estudos na área da Medicina do Trabalho e da Saúde Pública. Elas têm sido prevalentes em todas as atividades que envolvem uso intensivo dos membros superiores no trabalho e geram prejuízos de toda natureza para as organizações: absenteísmo, dificuldade de obtenção dos resultados operacionais, tensão nas relações de trabalho, problemas com a fiscalização e com o Ministério Público, além de pesadas indenizações pelo dano reivindicadas por trabalhadores que julgam terem tido prejuízo na sua capacidade de trabalho. Por todos esses motivos, a questão LER/DORT tem sido prioritária nas organizações, especialmente entre o pessoal envolvido com a Gestão de Pessoas, Relações Trabalhistas e Medicina do Trabalho. Na procura de soluções e de prevenção, as organizações apelaram para o conhecimento científico prevalente, mas as duas grandes explicações até então existentes não estavam sendo capazes de dar resposta preventivas eficazes e consistentes e nem conseguiam responder a duas perguntas freqüentemente colocadas pelas organizações : por que numa determinada empresa não havia LER/DORT e atualmente existe; e por que em determinada empresa, em duas áreas de processo produtivo semelhante, uma apresenta alta incidência de queixas e outra não? Além desses, alguns outros pontos importantes não vinham sendo respondidos eficazmente pelo conhecimento existente. Encontrávamo-nos então sem um paradigma explicativo da origem das LER no trabalho. Esse é o grande objetivo desta tese: a partir da realidade de 5 organizações que tiveram alta incidência em uma área coexistindo com baixa incidência em outra, em trabalho semelhante, o autor procurou identificar diferenças nos aspectos biomecânicos do posto de trabalho, na organização do trabalho e nos aspectos psicossociais. Foram estudadas dois estabelecimentos industriais, uma empresa de supermercados, a área financeira de uma empresa concessionária de energia elétrica e uma instituição bancária. Foram aplicados instrumentos de avaliação biomecânica dos postos de trabalho, foram entrevistados trabalhadores e chefias das diversas áreas e obteve-se números relacionados à organização do trabalho capazes de expressar as diferenças. Além disso, foram aplicados questionários de mensuração da realidade psicossocial e de satisfação no trabalho. Também se solicitou a uma amostra de trabalhadores das unidades-problemas que descrevessem, de próprio punho, sua visão quanto às causas da alta incidência de LER/DORT. Identificadas as diferenças, o autor propõe um modelo de entendimento das circunstâncias causadoras das LER/DORT e interpreta os casos estudados à luz do modelo. O modelo também é usado para interpretar o aumento exponencial das LER/DORT nas organizações nos últimos 25 anos e para a proposição de alternativas das empresas e de outros atores sociais para atuarem preventivamente.
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