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LER - uma proposta de ação...

                                                 

 

 

 

LER - LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS (UMA PROPOSTA DE AÇÃO PREVENTIVA)

Carlos Roberto Miranda e Carlos Roberto Dias

 

RESUMO

As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) representam atualmente mais da metade de todas as doenças ocupacionais no Brasil. No presente estudo, utilizando dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - jurisdição da Região Metropolitana de Salvador (Bahia), foram identificados 1.014 trabalhadores recebendo benefícios previdenciários ("benefícios ativos") por causa de LER. Foram determinadas as características dos 1.014 indivíduos (idade, gênero, função, diagnóstico clínico e topográfico, data do diagnóstico, empresa e ramo econômico). Como o objetivo principal da prevenção da LER é identificar os trabalhos que necessitam de intervenção para eliminar os riscos ergonômicos, foram selecionados e analisados 100 locais de trabalho visando reconhecer, identificar e corrigir esses riscos. Foi desenvolvido um questionário ("checklist") para determinar a presença de fatores de risco ergonômico, o qual revelou-se um eficiente instrumento de triagem para identificar trabalhos associados com o desenvolvimento de LER.

 

Palavras-Chave: Lesões por Esforços Repetitivos (LER), Estatísticas Previdenciárias, Riscos Ergonômicos, Questionário

 

SUMMARY

Cumulative Trauma Disorders (CTDs) currently accounts for over half of all occupational illness in the Brazil. In the present study, using data from Instituto Nacional de Seguro Social (INSS)-Metropolitan Region of Salvador (Bahia), was identificad 1.014 workers receiving compesation benefits because of CTD. The characteristcs of the 1.014 subjects was determined (age, gender, office, clinical and topographic diagnostic, date of diagnostic, enterprise and economic branch). Furthermore, how the main objective of CTD prevention is to identify jobs needing intervention to eliminate the ergonomic hazards, 100 work sites were selected and analysied to recognize, identify and correct these hazards. A checklist for determining the presence of ergonomic risk factors was developed and was found to be na effective rapid-screening instrument for identifying jobs associated with the development of CTDs.

 

Key-Words: Cumulative Trauma Disorders (CTDs), Social Welfare Statistics, Ergonomic Hazards, Checklist

 

 

 

INTRODUÇÃO

Lesões por Esforços Repetitivos - LER, são afecções de origem ocupacional que atingem os membros superiores, região escapular e pescoço, resultantes do desgaste muscular, tendinoso, articular e neurológico provocado pela inadequação do trabalho ao ser humano, e decorrem, de forma combinada ou não, da manutenção de postura inadequada e do uso repetido e/ou forçado de grupos musculares (1).

Estudos diversos tem revelado, no desenvolvimento da LER, a possível contribuição de fatores psicossociais (2, 3).

O trabalho nas condições acima referidas pode provocar o acometimento de tendões, sinóvias, músculos, nervos, fáscias, ligamentos, isolada ou associadamente, com ou sem degeneração dos tecidos, especialmente dos dedos da mão, punhos, antebraços, cotovelos, braços, ombros, pescoço e regiões escapulares (4, 5).

Nos últimos anos tem sido relatada também a ocorrência de afecções de origem ocupacional em membros inferiores, especialmente atingindo os joelhos (6).

Situação nos Locais de Trabalho

O problema da incidência das lesões por esforços repetitivos constitui um fenômeno universal, de grandes proporções, em constante crescimento.

Na verdade, tais lesões já foram registradas em 1700 pelo médico italiano Ramazzini, que estudou sua ocorrência entre escriturários. Em 1895, de Quervain descreveu o "entorse das lavadeiras", depois denominada tenossinovite do polegar.

Contudo, já neste século, somente a partir da década de 60 o problema ganhou maior dimensão com a incidência crescente da LER entre trabalhadores de países industrializados, especialmente no Japão(7), Austrália (8), Suécia (9) e Estados Unidos (10).

Atualmente, diversas categorias que tem em comum a repetitividade de movimentos e o esforço físico, são atingidas pela LER, especialmente os digitadores e usuários de terminais de vídeo (11), caixas de supermercado (12), bancários (13), secretárias (14), datilógrafos (15), telefonistas (16), eletricistas (17), músicos (18), médicos (19), operários de linha de montagem (20) e, trabalhadores nas indústrias automotivas (21), metalúrgicas (22) e de preparação de alimentos (23).

Estudos tem apontado ainda que o risco de desenvolver LER é maior para a mulher do que para o homem (24, 25). Além disso, certos indivíduos apresentam maior risco para desenvolver LER por serem portadores de condições sistêmicas predisponentes, tais como diabetes, artrite reumatóide, gota, hipotiroidismo, colagenoses vasculares, tuberculose e infecções por fungos.

No Brasil, desde o início da década de 80, alguns sindicatos de trabalhadores em processamento de dados (RS, MG, RJ e SP) começaram a denunciar a ocorrência de lesões por esforços repetitivos entre os digitadores. A partir de 1984/85, com a redemocratização do país e diante da crescente pressão social exercida pelo movimento sindical, a Previdência Social começa a reconhecer a existência do problema e a conceder os primeiros benefícios previdenciários por LER.

Contudo, somente a partir de 1986 a LER passou a assumir relevância crescente nas estatísticas sobre doenças profissionais, sendo que esse fato pode ser explicado, em parte, pela rápida absorção pelo nosso país das inovações tecnológicas e pela importante atuação dos trabalhadores, como bem estudou LYS ROCHA (26).

Vale recordar que, em nosso país, apenas a partir de 1987 a Previdência Social passou a considerar a LER como uma doença profissional ( 27).

Em 1990, o Ministério do Trabalho, através da NR-17 da Portaria nº 3214/78, regulamenta alguns aspectos da ergonomia, introduzindo a obrigatoriedade da realização da análise ergonômica dos postos de trabalho e contemplando, principalmente, os aspectos relacionados ao mobiliário, às pausas durante a jornada de trabalho e às condições de conforto nos locais de trabalho (28).

Na Bahia, somente a partir da década de 90, a LER assume relevância crescente nas estatísticas relativas à ocorrência de doenças profissionais, superando em incidência a surdez profissional e a intoxicação pelo benzeno. Em 1991, o Centro de Estudos de Saúde do Trabalhador (CESAT/Bahia) registrou 4,2% de casos de LER diagnosticados entre o total de casos de doenças profissionais. Esse número subiu para 60,0% em 1996 (29).

 

A Questão das diferentes abordagens

Entre os estudiosos da LER, em todo o mundo, existem alguns grandes consensos sobre seus fatores causais mas, existem, também, algumas grandes diferenças na abordagem dessas causas. Segundo COUTO (30), essas diferentes abordagens das causas da LER podem ser sintetizadas em seis correntes principais de pensamento, conforme explicitado a seguir.

 

1. ABORDAGEM CAUSAL (NEOPOSITIVISTA) - países anglo-saxões

Para a corrente neopositivista as LER seriam causadas, basicamente, por esforços intensos feitos com os membros superiores, pelo trabalho em posturas desfavoráveis, pela alta repetitividade de um mesmo padrão de movimento, por compressão mecânica das delicadas estruturas dos membros superiores, além de outros fatores como ambientes frios, postura estática, vibração segmentar, alguns fatores pessoais e alguns fatores organizacionais (Ergonomia Americana). Para essa corrente as soluções para o problema da LER seriam ações básicas sobre os postos de trabalho, reduzindo ou eliminando os fatores de risco, tais como redução do esforço necessário na tarefa, correção da postura, revezamentos para evitar alta repetitividade dos movimentos, medidas visando reduzir a compressão mecânica, entre outras, conforme explicitado nos trabalhos de BAMMER (31).

 

2. ABORDAGEM SISTÊMICA (FUNCIONALISTA) - Estados Unidos

AS LER são lesões que ocorreriam quando o organismo é submetido a algum tipo de exigência física forçada, de forma repetitiva ao longo da jornada, sem o devido tempo para reparo e recuperação das estruturas orgânicas. A solução seria estabelecer uma carga de esforço que não ultrapasse os limites de tolerância do ser humano, de acordo com ANDERSON (32).

 

3. ABORDAGEM HERMENÊUTICA - França

As LER seriam essencialmente decorrentes de formas inadequadas de organização do trabalho, que resultam em sobrecarga para as estruturas orgânicas (Ergonomia Francesa). As soluções seriam a reestruturação da organização do trabalho (redução do número de horas extraordinárias e das dobras de turno, diminuição do ritmo de trabalho (esteiras), instituição de pausas, correção da distribuição inadequada do trabalho, entre outras), de acordo com MACIEL (33).

 

4. ABORDAGEM DIALÉTICA - França, Estados Unidos e países anglo-saxões

As LER seriam a manifestação da procura desenfreada de ganhos do capital, ao adotar, sem questionamento, novas tecnologias gerenciais e de produção (especialmente a reengenharia e o downsizing). A atual epidemia de LER estaria sendo uma manifestação de um desequilíbrio na balança entre o que se exige do trabalhador e sua capacidade de trabalho que, historicamente, já teve outros exemplos nas tentativas de ganho do capital, especialmente à época de Taylor e Ford. A solução seria a vigilância das mudanças organizacionais sobre o ser humano, de forma que as mesmas sejam implementadas com controle de seu impacto sobre o homem e, também, sobre os sistemas sociais e ecológicos, ou seja, com a formulação do consenso pode haver um ganho, conforme explicitado nos trabalhos de SILVERSTEIN (34).

 

5. ABORDAGEM ACTANCIAL (DOS ATORES SOCIAIS) - Itália e Brasil

As LER seriam o resultado do comportamento de atores individuais e coletivos num contexto histórico. Na visão dos sindicatos de trabalhadores, as LER seriam o resultado do sofrimento e da exploração impostos à classe trabalhadora pelo capitalismo. A solução seria a eliminação do modo de produção capitalista e a retomada do controle da organização do trabalho pela classe trabalhadora, de acordo com RIBEIRO (35). Na visão dos sindicatos patronais, a LER simplesmente nunca existiu e seria apenas um invenção dos sindicatos de trabalhadores com o objetivo de desestabilizar as empresas. A solução seria, então, o enfraquecimento dos sindicatos de trabalhadores e a eliminação do reconhecimento do nexo das lesões com o trabalho pela Previdência Social.

 

6. ABORDAGEM ESTRUTURALISTA - França

As LER seriam uma manifestação da falência dos mecanismos psicológicos, individuais e coletivos, de resistência dos trabalhadores diante de práticas administrativas e gerenciais autoritárias, muito rígidas e opressivas existentes nas organizações (Psicologia Organizacional). As soluções seriam as reestruturações do processo produtivo que resultem em melhoria da qualidade de vida no trabalho, proporcionando-se maior identidade com a tarefa, maior autoridade sobre o processo, ciclos completos e, a eliminação de posturas extremamente rígidas normalmente existentes nas relações de trabalho, de acordo com DEJOURS (36).

 

Em conclusão, pode-se afirmar que, apesar das diferentes abordagens aqui apresentadas, diversos fatores causais das LER estão hoje consensados e, entre eles destacam-se:

A. FATORES DE NATUREZA ERGONÔMICA: força excessiva, alta repetitividade de um mesmo padrão de movimento, posturas incorretas dos membros superiores, compressão das delicadas estruturas dos membros superiores, frio, vibração, postura estática, entre outros.

B. FATORES DE NATUREZA ORGANIZACIONAL: concentração de movimentos numa mesma pessoa, horas extraordinárias, dobras de turno, ritmo apertado de trabalho, ausência das pausas necessárias, entre outros.

C. FATORES DE NATUREZA PSICOSSOCIAL: pressão excessiva para os resultados, ambiente excessivamente tenso, problemas de relacionamento interpessoal, rigidez excessiva no sistema de trabalho, entre outros.

 

Diagnóstico da LER

O diagnóstico da LER, como assinala ADA ASSUNÇÃO (1992), é essencialmente clínico e, baseia-se na anamnese ocupacional, nos exames complementares e na análise das condições de trabalho. Associada ao estudo epidemiológico e à visita ao local de trabalho, a anamnese ocupacional compõe os procedimentos básicos da investigação da LER. A dor é o principal sintoma e, quase sempre é desencadeada ou agravada pelo movimento. Na maioria dos casos há dificuldade em definir o tipo e a localização da dor, que costuma iniciar gradualmente por uma região anatômica (punho, cotovelo e ombro) mas acaba atingindo todo o membro superior. A sintomatologia dolorosa é agravada, em geral, pelo uso do membro afetado, piorando com fatores como o frio, mudanças bruscas de temperatura e o estresse emocional (1).

Convém assinalar que o diagnóstico objetivo da localização das alterações que causam a dor em um paciente com distúrbios músculoesqueléticos ocupacionais nem sempre é fácil. Por um lado, existem trabalhadores com alterações tendíneas ou sinovites bem evidentes associadas com a realização de esforços repetitivos ou com trabalho em postura inadequada, que não deixam dúvida quanto ao diagnóstico. No entanto, existe também um considerável contigente de trabalhadores que desenvolvem quadros clínicos dolorosos dos membros superiores e que não apresentam os sinais objetivos da presença de afecção (tendinite, sinovite ou compressão nervosa). Em verdade, na maioria das vezes os dados obtidos limitam-se àqueles informados pelos trabalhadores durante a anamnese ocupacional pois, os resultados do exame físico são geralmente inconclusivos e os exames complementares (radiografia, ultrassonografia e eletroneuromiografia) também não conseguem elucidar de maneira segura todas as situações.

Além da dor, os portadores de LER queixam-se de parestesias, dores irradiadas, edema, rigidez e limitação dos movimentos pela dor, com repercussões diretas sobre o trabalho. Podem ocorrer também sintomas gerais associados como ansiedade, irritabilidade, alterações do humor e do sono, fadiga crônica, e cefaléia tensional.

Estudos recentes têm mostrado que as lesões por esforços repetitivos dos membros superiores vêm sendo acompanhadas de altos índices de incapacidade laborativa e que a proporção de incapacidade vem aumentando (38 ).

Em relação à análise do trabalho, é essencial a recomposição do processo de trabalho e o estudo da maneira como se organiza, sendo muito importante a participação direta dos trabalhadores que vivenciam o cotidiano do trabalho. Recomenda-se analisar alguns aspectos básicos da organização do trabalho como duração da jornada, conteúdo da tarefa, pausas durante a jornada, o ritmo do trabalho e, a exigência ou não da produtividade. Em seguida, passa-se a análise dos aspectos do ambiente de trabalho, ressaltando o posto de trabalho, aí incluídos mobiliário, equipamentos e ferramentas. Além disso, é recomendável estudar se as condições ambientais de iluminação, temperatura efetiva e ruído são compatíveis com a tarefa executada.

 

Condutas Médico-administrativas

Na opinião de COUTO (30), a conduta médico-administrativa é um dos aspectos mais críticos da atuação do médico do trabalho diante da questão das lesões de membros superiores de natureza ocupacional. Além do aspecto técnico de tratamento médico da lesão, existem interações importantes com a área operacional e com a área administrativa da própria empresa, com a Previdência Social, com a fiscalização do trabalho, com o sistema de saúde e com a representação dos trabalhadores. Além disso, o médico do trabalho deve estar atento para os aspectos éticos e legais da questão.

Diante de um trabalhador que apresenta dor ou desconforto em membros superiores, o médico do trabalho deve responder duas perguntas básicas:

1º) O exame clínico é compatível com as queixas do trabalhador ?

2º) Trata-se de um caso relacionado ao trabalho ?

Entre os objetivos principais da conduta médico-administrativa está atender a queixa de dor ou de desconforto em membro superior o mais precocemente possível, evitando que o trabalhador tenha agravamento ou cronificação de seu quadro. É importante também garantir o retorno do trabalhador afastado, de preferência à mesma função, desde que os fatores que ocasionaram o desencadeamento da dor tenham sido resolvidos.

No âmbito da empresa, alguns procedimentos são considerados essenciais na questão das lesões por esforços repetitivos e podem ser assim sumarizados:

1. Adoção de um protocolo para padronizar a conduta médico-administrativa diante de um caso de LER;

2. Montagem de uma equipe assistencial multidisciplinar (ortopedista-reumatologista-fisiatra-psicólogo-serviços de radiologia, eletroneuromiografia e fisioterapia, etc.) que possam atender ao trabalhador queixoso de forma eficaz e precocemente, evitando que o mesmo se perca na rede assistencial;

3. Entrosamento eficiente com o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), especialmente com as áreas administrativas dos postos de benefícios, com o serviço de perícia médica e com o centro de reabilitação profissional;

4. Criação de um "Comitê Local de Ergonomia" que deverá ser formado por trabalhadores, supervisores, gerentes, pessoal da área de recursos humanos e do setor de segurança no trabalho, sendo essencial que todos os membros deste Comitê recebam um treinamento básico sobre ergonomia e sobre as origens das lesões por esforços repetitivos;

5. Realização de um "Levantamento Ergonômico" da empresa, ou seja, elaboração de um "mapa de risco ergonômico" que contemple a realização de análise ergonômica de todos os postos de trabalho da empresa assim como a adoção de um cronograma de medidas a serem implantadas para eliminar os riscos ergonômicos.

 

Prevenção da LER

O método mais efetivo para a prevenção da LER é o desenvolvimento de controles técnicos para identificar os riscos ergonômicos (39, 40, 41).

Em síntese, a prevenção da LER baseia-se em estudos para análise ergonômica do trabalho e na adoção de medidas relativas a:

a) tempo de exposição: introdução de pausas para descanso, redução da jornada de trabalho ou do tempo de trabalho na atividade geradora de LER (42, 43);

b) alterações no processo e organização do trabalho: modificações visando a diminuição da sobrecarga muscular gerada por gestos e esforços repetitivos, mecanizando ou automatizando o processo, reduzindo o ritmo de trabalho e as exigências de tempo, diversificando as tarefas (44, 45);

c) adequação de máquinas, mobiliários, dispositivos, equipamentos e ferramentas de trabalho às características fisiológicas do trabalhador, de modo a reduzir a intensidade dos esforços aplicados e corrigir posturas desfavoráveis na realização de gestos e esforços repetitivos (46, 47).

Mais recentemente, estudos tem demonstrado o valor dos treinamentos e dos exercícios posturais ergonômicos assim, como das técnicas educativas na prevenção da LER (48, 49, 50).

 

MATERIAL E MÉTODO

O presente trabalho teve como objetivos principais estudar a prevalência da LER entre os trabalhadores da Região Metropolitana de Salvador (Bahia), assim como desenvolver ações de fiscalização dos ambientes de trabalho, buscando prevenir a ocorrência de lesões por esforços repetitivos. Além de prevenir a ocorrência de LER, buscou-se, ainda, desenvolver e aprimorar condutas e instrumentos de fiscalização trabalhista.

Neste sentido, o estudo de prevalência foi complementado por um conjunto de inspeções trabalhistas, realizadas de junho a dezembro de 1998, com o objetivo de reconhecer, identificar e corrigir os riscos ergonômicos presentes em 100 (cem) postos de trabalho.

 

I. ESTUDO DE PREVALÊNCIA

Utilizando dados secundários dos arquivos do Serviço de Perícia Médica do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), após analisar dados e informações de 9 (nove) Postos de Benefícios, foram identificados 1.014 trabalhadores recebendo benefícios previdenciários ("benefícios ativos") por causa de LER na Região Metropolitana de Salvador, Bahia.

Para fins deste trabalho, entende-se por "benefício ativo" todo trabalhador segurado com nexo causal para LER, devidamente comprovado pela perícia médica do INSS e, que em maio de 1998 estava recebendo algum tipo de benefício previdenciário (auxílio-doença, auxílo-acidente ou aposentadoria por invalidez).

Após a identificação dos benefícios ativos, foram determinadas as características dos 1.014 indivíduos (nome, idade, sexo, função, diagnóstico clínico e topográfico, data do diagnóstico e, empresa e ramo econômico da empresa em que trabalhavam).

A partir dessas informações foi constituído um banco de dados, utilizando o programa Epi Info, Versão 6. 03 (51).

Dessa forma, a seguir será apresentada a descrição dos resultados obtidos entre a população estudada.

 

DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES PORTADORES DE LER, SEGUNDO SEXO E IDADE

Dos 1.014 trabalhadores portadores de LER, 820 (80,9%) eram do sexo feminino enquanto 194 (19,1%) eram do sexo masculino.

A idade dos trabalhadores portadores de LER variou de 18 a 58 anos, sendo que a média de idade foi de 38,7 anos. A grande maioria dos trabalhadores (80,4%) estavam distribuídos na faixa etária entre 30 e 46 anos.

 

DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES PORTADORES DE LER, SEGUNDO DIAGNÓSTICO CLÍNICO

Dos 1.014 trabalhadores portadores de LER, 664 (65,5%) apresentaram sinovite/tenossinovite, 304 (30,0%) foram acometidos por síndrome do túnel carpiano, 40 (3,9%) apresentaram cervicalgia e, 6 (0,6%) bursite.

A classificação do diagnóstico clínico foi realizada pelos médicos do Serviço de Perícia Médica do INSS, utilizando a Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde (CID/OMS).

 

DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES PORTADORES DE LER, SEGUNDO DIAGNÓSTICO TOPOGRÁFICO

Dos 1.014 trabalhadores portadores de LER, 968 (95,5%) apresentaram lesões em mãos ou punhos, 40 (3,9%) apresentaram lesões em pescoço e, em 6 (0,6%) as lesões eram em ombros. Não foi identificado benefício previdenciário concedido por lesão isolada em cotovelo (epicondilite).

 

DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES PORTADORES DE LER, SEGUNDO DATA DO DIAGNÓSTICO

Foram identificados 1.014 "benefícios ativos" que iniciaram-se entre os anos de 1990 a 1998 (até o mês de maio). Foi possível constatar que a LER assume relevância crescente nas estatísticas a partir do ano de 1994, sendo que 932 (91,9%) dos benefícios por causa de LER na Região Metropolitana de Salvador foram concedidos entre os anos de 1995 a 1997.

 

DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES PORTADORES DE LER, SEGUNDO FUNÇÃO

Entre os 1.014 trabalhadores portadores de LER, foram caracterizadas 67 diferentes funções. Entre as funções que mais provocaram LER destacaram-se, principalmente, caixas de banco (20,0%), escriturários (14,3%), auxiliares administrativos (10,1%), caixas de supermercado (8,6%), digitadores (8,1%), atendentes (4,3%), operadores industriais (3,8%), telefonistas (3,4%), auxiliares de produção (3,2%), secretárias ( 3,1%) e, caixas de loja (1,8%), entre outras, conforme explicitado na TABELA O1.

 

DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES PORTADORES DE LER, SEGUNDO RAMO ECONÔMICO

No total, 241 empresas apresentaram casos de LER entre seus empregados, sendo que essas empresas pertenciam a 35 diferentes ramos econômicos. Entre os ramos econômicos destacaram-se o bancário com 382 casos de LER (37,7% do total), supermercados (104 casos e 10,3% do total), telecomunicações (71 casos e 7,0% do total), comércio varejista em geral (54 casos e 5,3% do total), petroquímico (38 casos e 3,7% do total), serviços de eletricidade (36 casos e 3,6% do total), têxtil (35 casos e 3,5% do total), prestação de serviços em geral (33 casos e 3,3% do total), processamento de dados (31 casos e 3,1% do total), serviços médicos (30 casos e 3,0% do total), químico (29 casos e 2,9% do total), produção de alimentos (21 casos e 2,1% do total), construção civil (16 casos e 1,6% do total), metalúrgico ( 13 casos e 1,3% do total), limpeza pública (12 casos e 1,2% do total), transportes (11 casos e 1,1% do total), serviços de educação ( 10 casos e 1,0% do total), mecânico (10 casos e 1,0% do total), cerâmico ( 9 casos e 0,9% do total), saneamento básico (9 casos e 0,9% do total), produção de bebidas (9 casos e 0,9% do total), serviços postais ( 8 casos e 0,8% do total) e, sindicatos ( 8 casos e 0,8% do total), entre outros, conforme explicitado na TABELA 02.

 

 

II. ANÁLISE ERGONÔMICA DOS POSTOS DE TRABALHO

Após a conclusão do estudo de prevalência, o presente trabalho foi complementado por um conjunto de inspeções trabalhistas com o objetivo de realizar a análise ergonômica dos postos de trabalho que mais provocaram LER, assim como para notificar as empresas para providenciar o reconhecimento, identificação e correção dos riscos ergonômicos.

As empresas e os postos de trabalho foram selecionados e definidos a partir dos resultados do estudo de prevalência da LER entre os trabalhadores da Região Metropolitana de Salvador(Bahia), conforme anteriormente apresentado. Assim, foram selecionados para análise ergonômica 100 (cem) postos de trabalho que corresponderam aos postos que mais freqüentemente provocaram LER na população estudada.

As empresas selecionadas foram inspecionadas por dois Agentes da Inspeção do Trabalho (Médicos do Trabalho) e, notificadas para, num prazo de 60 (sessenta) dias, providenciar a realização da análise ergonômica do trabalho, abordando, no mínimo, os aspectos relacionados ao mobiliário, aos equipamentos, às condições ambientais dos postos de trabalho e, à própria organização do trabalho. Além da realização da análise ergonômica do trabalho, as empresas inspecionadas foram, ainda, notificadas para adotar medidas relativas a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores,de acordo com os parâmetros estabelecidos pela NR-17 da Portaria nº 3214/78 do Ministério do Trabalho (28).

Tendo em vista que o objetivo principal da prevenção da LER é identificar os trabalhos que necessitam de intervenção para eliminar os riscos ergonômicos e, considerando que o questionário ("checklist") tem-se revelado um eficiente instrumento de triagem para identificar trabalhos associados com o desenvolvimento de LER (52, 53, 54, 55), na coleta de dados do presente trabalho foi utilizado um questionário padrão com informações relativas à empresa inspecionada, ao trabalhador acometido de LER, ao posto de trabalho analisado e, aos resultados da ação fiscal.

A partir dessas informações, foi constituído um banco de dados, utilizando o programa Epi Info Versão 6.03 (51).

 

TABELA 01 - DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES PORTADORES DE LER, SEGUNDO FUNÇÃO, SALVADOR, BAHIA, 1998

FONTE: Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)

FUNÇÃO

%

1. CAIXA DE BANCO

203

20,0

2. ESCRITURÁRIO

145

14,3

3. AUX. ADMINISTRATIVO

102

10,1

4. CAIXA DE SUPERMERCADO

87

8,6

5. DIGITADOR

82

8,1

6. ATENDENTE

44

4,3

7. OPERADOR INDUSTRIAL

39

3,8

8. TELEFONISTA

34

3,4

9. AUX. DE PRODUÇÃO

32

3,2

10. SECRETÁRIA

31

3,1

11. CAIXA DE LOJA

18

1,8

12. SUPERVISOR

17

1,7

13. CONTROL. DE QUALIDADE

10

1,0

14. CONTADOR

10

1,0

15. GERENTE

9

0,9

16. RECEPCIONISTA

9

0,9

17. ANALISTA DE SISTEMAS

9

0,9

18. AUX. DE ENFERMAGEM

8

0,8

19. TECELÃ

8

0,8

20. AGENTE DE VARRIÇÃO

7

0,7

21. COZINHEIRA

7

0,7

22. AUX. FINANCEIRO

7

0,7

23. MECÂNICO INDUSTRIAL

7

0,7

24. SERVENTE

6

0,6

25. AJUDANTE DE DEPÓSITO

4

0,4

26. VENDEDOR

4

0,4

27. REPOSITOR

4

0,4

28. CARREGADOR

4

0.4

29. OP. TELEMARKETING

4

0,4

30. LIÇADEIRA

4

0,4

31. ARRUMADOR

3

0,3

32. ELETRICISTA

3

0,3

33. ENCANADOR

3

0,3

34. MOTORISTA

3

0,3

35. OP. TELEX

3

0,3

36. TEC. DE ENGENHARIA

3

0,3

37. TEC. DE LABORATÓRIO

2

0,2

38. COBRADOR

2

0,2

39. COSTUREIRA

2

0,2

40. DESENHISTA

2

0,2

41. INSTRUMENTISTA

2

0,2

42. PATISSEIRO

2

0,2

43. PROFESSORA

2

0,2

44. AUX. DE MANUTENÇÃO

2

0,2

45. OP. OFFSET

2

0,2

46. SOLDADOR

2

0,2

47. ADVOGADO

1

0,1

48. ASCENSORISTA

1

0,1

49. BATEDORISTA

1

0,1

50. BIBLIOTECÁRIA

1

0,1

51. CARPINTEIRO

1

0,1

52. COMPRADOR

1

0,1

53. CONTADOR DE TRÂNSITO

1

0,1

54. COPEIRA

1

0,1

55. DEMONSTRADORA

1

0,1

56. DENTISTA

1

0,1

57. ECONOMISTA

1

0,1

58. EMBALADEIRA

1

0,1

59. EMPACOTADOR

1

0,1

60. ESTATÍSTICO

1

0,1

61. FREZADOR

1

0,1

62. LAMINADOR

1

0,1

63. MAGAREFE

1

0,1

64. MANICURE

1

0,1

65. MENOR APRENDIZ

1

0,1

66. PROJETISTA

1

0,1

67. TEC. ELETRÔNICO

1

0,1

TOTAL

1.014

100,0

 

TABELA 02 - DISTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES PORTADORES DE LER, SEGUNDO RAMO ECONÔMICO, SALVADOR, BAHIA, 1998

FONTE: Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)

RAMO ECONÔMICO

%

1. BANCÁRIO

382

37,7

2. SUPERMERCADO

104

10,3

3. TELECOMUNICAÇÕES

71

7,0

4. COMÉRCIO VAREJISTA

54

5,3

5. PETROQUÍMICO

38

3,7

6. SERV. DE ELETRICIDADE

36

3,6

7. TÊXTIL

35

3,5

8. SERVIÇOS EM GERAL

33

3,3

9. PROCESSAMENTO DE DADOS

31

3,1

10. SERVIÇOS MÉDICOS

30

3,0

11. QUÍMICO

29

2,9

12. PRODUÇÃO DE ALIMENTOS

21

2,1

13. CONSTRUÇÃO CIVIL

16

1,6

14. METALÚRGICO

13

1,3

15. LIMPEZA PÚBLICA

12

1,2

16. TRANSPORTES

11

1,1

17. SERVIÇOS DE EDUCAÇÃO

10

1,0

18. MECÂNICO

10

1,0

19. CERÂMICO

9

0,9

20. SANEAMENTO BÁSICO

9

0,9

21. PRODUÇÃO DE BEBIDAS

9

0,9

22. SERVIÇOS POSTAIS

8

0,8

23. SINDICATOS

8

0,8

24. CONDOMÍNIOS

5

0,5

25. GRÁFICO

5

0,5

26. PORTUÁRIO

5

0,5

27. FARMACÊUTICO

4

0,4

28. SERV. DE MANUTENÇÃO

4

0,4

29. BAR/RESTAURANTE

3

0,3

30. CARTÃO DE CRÉDITO

2

0,2

31. CONFECÇÕES

2

0,2

32. SEGUROS

2

0,2

33. EMBALAGENS

1

0,1

34. MINERAÇÃO

1

0,1

35. SIDERÚRGICO

1

0,1

TOTAL

1.014

100,0

 

RESULTADOS DAS ANÁLISES ERGONÔMICAS DOS POSTOS DE TRABALHO

 

Utilizando um "checklist" específico, apresentado em anexo, foi realizada a análise ergonômica de 100 (cem) postos de trabalho assim distribuídos:

 

20(20%) caixas de banco, 20(20%) escriturários (Bancos), 10(10%) caixas de supermercado, 10(10%) caixas de loja (Comércio), 10(10%) digitadores, 10 (10%) telefonistas, 5 (5%) secretárias, 5 (5%) auxiliares administrativos, 5 (5%) atendentes de serviço e, 5 (5%) operadores industriais.

 

Segundo o ramo econômico a que pertencia a empresa inspecionada, os postos de trabalho analisados foram assim distribuídos:

44 (44%) Bancário, 13 (13%) Supermercado, 12 (12%) Comércio Varejista, 9 (9%) Eletricidade, 7 (7%) Indústria, 7 (7%) Serviços em Geral ( 3 Limpeza Pública, 2 Serviços Postais, 1 Saneamento Básico e 1 Serviços Médicos), 4 (4%) Telecomunicações e, 4 (4%) Processamento de Dados.

 

ESTUDO DOS FATORES DE NATUREZA ORGANIZACIONAL

Dos 102 itens constantes do "checklist" utilizado no trabalho, 18 (17,6%) eram relacionados à questão da organização do trabalho. Os resultados do estudo dos fatores de natureza organizacional estão demonstrados na TABELA 03.

Em 31 (31%) postos de trabalho foi observada a exigência de produtividade, especialmente entre os caixas de banco, escriturários e operadores industriais.

O pagamento de prêmio adicional por produtividade, no entanto, foi verificado apenas no caso de 3 (3%) dos postos de trabalho analisados.

A grande maioria dos trabalhadores (94%) informou que não existiam exigências de trabalho excessivamente complexas em relação às suas próprias habilitações.

Em relação à duração da jornada diária de trabalho, foi observado que em 54 (54%) dos postos de trabalho ela era de 6 (seis) horas, em 41 (41%) era de 8 (oito) horas, em 4 (4%) era de 7 (sete) horas e, em 1 (1%) era de 5 (cinco) horas. A pausa durante a jornada de trabalho foi observada no caso de apenas 13 (13%) dos postos de trabalho avaliados. A realização de horas extraordinárias foi observada em 62 (62%) dos postos de trabalho. A ocorrência de trabalho noturno foi verificada em 19 (19%) e o trabalho de turno em 11 (11%) dos postos de trabalho estudados.

Em 2 (2,2%) dos 90 (noventa) postos de trabalho que desenvolviam atividades de processamento eletrônico de dados, foi observado que o empregador exigia um número de toques reais, no teclado, superior a 8 (oito) mil por hora trabalhada.

Foram analisados, ainda, 5 (cinco) postos de trabalho em linhas de produção, sendo observado que em 4 (80%) era possível à supervisão fazer algum tipo de regulagem na velocidade da esteira, além de 30% da velocidade-padrão; em 3 (60%) não existia uma pausa natural entre o final de um ciclo e o início do ciclo seguinte; em 2 (40%) existia alguma posição com tempo estrangulado; em 2 (40%) não existia um esquema alternativo previsto em termos de ritmo da linha, quando ocorresse a falta de uma ou mais pessoas; em 1 (20%) não existia revezamento das pessoas em diversas posições da linha e, em 1 (20%) era necessário fazer alguma montagem estando as peças em movimento.

 

ESTUDO DOS FATORES DE NATUREZA ERGONÔMICA

Dos 102 itens constantes do "checklist" utilizado no trabalho, 77 (75,5%) eram relacionados aos fatores ergonômicos dos próprios postos de trabalho.

Os resultados do estudo dos fatores de natureza ergonômica estão demonstrados na TABELA 04.

Em 58 (58%) dos postos de trabalho avaliados o trabalho era realizado sentado, em 12 (12%) em pé e, em 30 (30%) alternado (sentado/em pé). Em 33 (33,3%) dos postos foi observado que o trabalhador não tinha flexibilidade na sua postura durante a jornada de trabalho. No caso dos 12 (doze) postos de trabalho que exigiam o trabalho em pé, em 5 (41,7%) não existiam assentos para descanso durante as pausas.

A existência de movimentos repetitivos foi observada em todos os postos de trabalho analisados. Quanto ao tipo de movimento executado durante as tarefas, observou-se que em todos os casos (100%) ocorria a flexão/extensão do punho, em 84 (84%) havia o desvio lateral do punho e, em 36 (36%) estavam presentes os movimentos de elevação dos braços ou abdução dos ombros.

Em 27 (27%) dos postos analisados foi observado que exigia-se muita força com as mãos e, em 10 (10%) era exigido compressão digital fazendo força.

Quanto às posturas forçadas, em 40 (40%) o trabalho exigia a cabeça excessivamente estendida e, em 27 (27%) a cabeça excessivamente fletida.

Em 43 (43%) dos postos de trabalho avaliados não havia rodízio (revezamento) nas tarefas, em 61 (61%) existia contato da mão ou punho com alguma quina viva de objeto ou ferramenta, em 2 (2%) o trabalho exigia o uso de luvas e, em nenhum posto de trabalho analisado foi observado o uso de ferramentas vibratórias.

 

AVALIAÇÃO DAS CADEIRAS

Foram avaliadas 93 (noventa e três) cadeiras em postos de trabalho, tendo sido observado o seguinte: 18 (19,4%) não eram estofadas, 8 (8,6%) não eram giratórias, 28 (30,1%) não possuíam rodízios, em 15 (16,1%) a altura não era regulável, em 19 (20,4%) o apoio dorsal não fornecia um apoio firme, em 14 (15,1%) a dimensão ântero-posterior do assento não era adequada, em 11 (11,8%) a largura da cadeira não era de dimensão correta, em 17 (18,3%) a borda anterior do assento não era arredondada, em 5 (5,4%) o assento não era na posição horizontal, em 4 (4,5%) o ângulo tronco-coxas não era de cerca de 100 graus, em 4 (4,5%) os braços da cadeira prejudicavam a aproximação do trabalhador até seu posto de trabalho, em 26 (27,9%) não havia espaço suficiente para as pernas debaixo da mesa ou posto de trabalho e, em 14 (15,1%) os pés não estavam sempre apoiados, conforme mostra a TABELA 05.

 

AVALIAÇÂO DAS MESAS DE TRABALHO

Foram avaliadas 95 (noventa e cinco) mesas de trabalho, tendo sido observado o seguinte: 20 (21,1%) não apresentavam altura apropriada, 36 (37,9%) não tinham dimensões apropriadas, 55 (57,9%) não apresentavam borda anterior arredondada, em 20 (21,1%) os acessórios (telefone, máquinas, carimbos, etc.) não estavam dentro da área de alcance do trabalhador e, em 36 (37,9%) as gavetas não eram leves, conforme mostra a TABELA 06.

Foram avaliadas, ainda, 22 (vinte e duas) mesas de datilografia, sendo que 7 (31,8%) não eram adequadas, ou seja, não eram mais baixas que a mesa habitual de trabalho.

 

AVALIAÇÃO DO TERMINAL OU COMPUTADOR

Foram avaliados 91 (noventa e um) postos de trabalho nos quais era utilizado o terminal ou computador, tendo sido observado o seguinte: 26 (28,6%) dos monitores de vídeo não eram móveis, em 62 (68,1%) a posição do monitor não estava na horizontal dos olhos do usuário, em 31 (34,1%) a tela do monitor não estava perpendicular à janela, em 39 (42,9%) existiam reflexos na tela, em 4 (4,4%) a tela não possuía bom padrão de legibilidade, em 8 (8,8%) a distância dos olhos do usuário/tela não estava entre 45-70 cm e, em 9 (9,9%) as distâncias olho-tela, olho-teclado e olho-documento não eram iguais, conforme mostra a TABELA 07.

Em relação à posição dos membros superiores, em 41 (45,1%) dos postos os braços do usuário não trabalhavam na vertical (ângulo de 70-80 graus), em 33 (36,3%) os antebraços do usuário não trabalhavam na horizontal e, em 76 (83,5%) os punhos não trabalhavam apoiados.

Quanto ao teclado, em 23 (25,3%) dos postos ele não era destacável da unidade de vídeo, em 54 (59,3%) o teclado não tinha suporte próprio, em 51 (56,0%) a altura do suporte do teclado não era regulável e, em 63 (69,2%) no suporte do teclado não cabia o mouse.

Em 85 (93,4%) dos postos avaliados não existia suporte para os documentos-fonte. Entre os 3 (três) suportes para documentos existentes, em 1 (33,3%) a altura, a distância e o ângulo do suporte não podiam ser ajustados.

 

AVALIAÇÃO DAS LINHAS DE PRODUÇÃO

Foram avaliados 5(cinco) postos de trabalho em linhas de produção, tendo sido observado que em todos os casos não existia uma adequação biomecânica geral, a cadeira não era adequada, a altura da bancada não era compatível com as medidas antropométricas do operador, a postura do tronco em relação à esteira era forçada e, não havia espaço suficiente para as pernas do operador. Em 2 (40%) dos postos as peças estavam em locais que exigiam postura forçada; em 3 (60%) dos postos os membros superiores tinham que sustentar pesos; em 4 (80%) ficava-se de pé, parado, durante a maior parte da jornada e, em 4 (80%) os braços faziam movimentos acima do ombro, conforme mostra a TABELA 08.

Em todos os postos de linha de produção analisados existia espaço adequado para a movimentação do operador, o espaço entre um montador e outro era suficiente e, havia espaço para colocação das peças refugadas.

 

AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS

As condições ambientais dos locais de trabalho não foram avaliadas quantitativamente. Foram utilizados 5 (cinco) itens do "checklist" para indagar aos trabalhadores sobre as condições ambientais de seus postos de trabalho.

No total, 36 (36%) dos trabalhadores entrevistados declararam que o nível de ruído em seu posto de trabalho era incômodo e 23 (23%) dos entrevistados informaram que a temperatura ambiente no local de trabalho não era agradável. 16 (16%) dos trabalhadores relataram que a iluminação em seu posto de trabalho não era suficiente. Em 7 (7%) dos postos de trabalho a circulação do ar foi considerada insuficiente e em 9 (9%) a umidade relativa do ar não foi considerada aceitável.

 

ESTUDO DOS FATORES DE NATUREZA PSICOSSOCIAL

Dos 102 itens constantes do "checklist" utilizado, apenas 2 (1,9%) eram relacionados com os fatores psicossociais.

Quando os trabalhadores foram indagados se existia excesso de pressão por parte das chefias, 12 (12%) responderam que sim. Quanto aos relacionamentos interpessoais envolvendo outros trabalhadores, 10 (10%) referiram que existiam dificuldades nestes relacionamentos.

TABELA 03 - ESTUDO DOS FATORES DE NATUREZA ORGANIZACIONAL, SALVADOR, BAHIA, 1998

FATORES ORGANIZACIONAIS

SIM(%)

NÃO(%)

1. EXIGÊNCIA DE PRODUTIVIDADE

31

69

2. PRÊMIO ADICIONAL POR PRODUTIVIDADE

3

97

3. PAUSAS DURANTE A JORNADA DE TRABALHO

13

87

4. HORAS EXTRAORDINÁRIAS

62

38

5. TRABALHO NOTURNO

19

81

6. TRABALHO DE TURNO

11

89

7. Nº DE TOQUES SUPERIOR A 8.000 POR HORA

2,2

97,8

 

 

 

TABELA 04 - ESTUDO DOS FATORES DE NATUREZA ERGONÔMICA, SALVADOR, BAHIA, 1998

FATORES ERGONÔMICOS

SIM(%)

NÃO(%)

1. TRABALHO REALIZADO SENTADO

58

42

2. FLEXIBILIDADE POSTURAL (SENTADO/EM PÉ)

67

33

3. ASSENTO PARA DESCANSO (TRABALHO EM PÉ)

58,3

41,7

4. MOVIMENTOS REPETITIVOS

100

-

5. FLEXÃO/EXTENSÃO DO PUNHO

100

-

6. DESVIO LATERAL DO PUNHO

84

16

7. ELEVAÇÃO DOS BRAÇOS OU ABDUÇÃO DOS OMBROS

36

64

8. MUITA FORÇA COM AS MÃOS

27

73

9. COMPRESSÃO DIGITAL FAZENDO FORÇA

10

90

10. CABEÇA EXCESSIVAMENTE ESTENDIDA

40

60

11. CABEÇA EXCESSIVAMENTE FLETIDA

27

73

12. RODÍZIO (REVEZAMENTO) NAS TAREFAS

57

43

13. CONTATO DA MÃO OU PUNHO COM QUINA VIVA

61

39

14. TAREFA EXIGE USO DE LUVAS

2

98

15.TRABALHO COM FERRAMENTAS VIBRATÓRIAS

-

100

 

 

 

TABELA 05 - FATORES DE NATUREZA ERGONÔMICA: AVALIAÇÃO DAS CADEIRAS, SALVADOR, BAHIA, 1998

FATORES ERGONÔMICOS

SIM(%)

NÃO(%)

1. CADEIRA ESTOFADA

80,6

19,4

2. ALTURA REGULÁVEL

83,9

16,1

3. DIMENSÃO ÂNTERO-POST. DO ASSENTO ADEQUADA

84,9

15,1

4. LARGURA DA CADEIRA DE DIMENSÃO CORRETA

88,2

11,8

5. BORDA ANTERIOR DO ASSENTO ARREDONDADA

81,7

18,3

6. ASSENTO NA POSIÇÃO HORIZONTAL

94,6

5,4

7. ÂNGULO TRONCO-COXAS DE CERCA DE 100 GRAUS

95,5

4,5

8. APOIO DORSAL FORNECE UM SUPORTE FIRME

79,6

20,4

9. CADEIRA GIRATÓRIA

91,4

8,6

10. EXISTEM RODÍZIOS

69,9

30,1

11. BRAÇOS DA CADEIRA PREJUDICAM APROXIMAÇÃO ATÉ O POSTO DE TRABALHO

4,5

95,5

12. OS PÉS ESTÃO SEMPRE APOIADOS

84,9

15,1

13. ESPAÇO SUFICIENTE PARA AS PERNAS DEBAIXO DA MESA OU DO POSTO DE TRABALHO

72,1

27,9

 

 

 

TABELA 06 - FATORES DE NATUREZA ERGONÔMICA: AVALIAÇÃO DAS MESAS DE TRABALHO, SALVADOR, BAHIA, 1998

FATORES ERGONÔMICOS

SIM(%)

NÃO(%)

1. ALTURA APROPRIADA

78,9

21,1

2. DIMENSÕES APROPRIADAS

62,1

37,9

3. BORDA ANTERIOR DA MESA ARREDONDADA

42,1

57,9

4. ACESSÓRIOS DENTRO DA ÁREA DE ALCANCE

78,9

21,1

5. GAVETAS LEVES

62,1

37,9

6. MESA DE DATILOGRAFIA MAIS BAIXA

68,2

31,8

 

 

 

TABELA 07 - FATORES DE NATUREZA ERGONÔMICA: AVALIAÇÃO DO TERMINAL OU COMPUTADOR, SALVADOR, BAHIA, 1998 

FATORES ERGONÔMICOS

SIM(%)

NÃO(%)

1. MONITOR DE VÍDEO MÓVEL

71,4

28,6

2. POSIÇÃO DO MONITOR NA HORIZONTAL DOS OLHOS

31,9

68,1

3. TELA DO MONITOR PERPENDICULAR À JANELA

65,9

34,1

4. PRESENÇA DE REFLEXOS NA TELA

42,9

57,1

5. TELA COM BOM PADRÃO DE LEGIBILIDADE

95,6

4,4

6. DISTÂNCIA OLHOS /TELA ENTRE 45-70 CM

91,2

8,8

7. DISTÂNCIAS OLHO/TELA, OLHO/TECLADO E OLHO-DOCUMENTO SÃO IGUAIS

90,1

9,9

8. BRAÇOS DO USUÁRIO TRABALHAM NA VERTICAL (ÂNGULO DE 70-80 GRAUS)

54,9

45,1

9. ANTEBRAÇOS DO USUÁRIO NA HORIZONTAL

63,7

36,3

10. OS PUNHOS TRABALHAM APOIADOS

16,5

83,5

11. TECLADO DESTACÁVEL DA UNIDADE DE VÍDEO

74,7

25,3

12. TECLADO TEM SUPORTE PRÓPRIO

40,7

59,3

13. ALTURA DO SUPORTE DO TECLADO REGULÁVEL

44,0

56,0

14. NO SUPORTE DO TECLADO CABE O MOUSE

30,8

69,2

15. EXISTE SUPORTE PARA OS DOCUMENTOS-FONTE

6,6

93,4

16. SUPORTE PARA DOCUMENTOS AJUSTÁVEL

66,7

33,3

 

TABELA 08 - FATORES DE NATUREZA ERGONÔMICA: AVALIAÇÃO DA LINHA DE PRODUÇÃO, SALVADOR, BAHIA, 1998

FATORES ERGONÔMICOS

SIM(%)

NÃO(%)

1. MEMBROS SUPERIORES TEM QUE SUSTENTAR PESOS

60

40

2. BRAÇOS FAZEM MOVIMENTOS ACIMA DO OMBRO

80

20

3. PEÇAS ESTAVAM EM LOCAIS QUE EXIGIAM POSTURA FORÇADA

40

60

4.FICAVA-SE EM PÉ, PARADO, DURANTE A MAIOR PARTE DA JORNADA

80

20

5.ADEQUAÇÃO BIOMECÂNICA GERAL

-

100

6.ALTURA DA BANCADA COMPATÍVEL

-

100

7. POSTURA DO TRONCO FORÇADA (ESTEIRA)

100

-

8.ESPAÇO SUFICIENTE PARA AS PERNAS

-

100

 

 

CONCLUSÕES

As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) são afecções de origem ocupacional que atingem os membros superiores, região escapular e pescoço, resultantes do desgaste muscular, tendinoso, articular e neurológico provocado pela inadequação do trabalho ao ser humano.

O problema da incidência da LER constitui um fenômeno universal, de grandes proporções, em constante crescimento e, ganhou maior dimensão a partir da década de 60 com sua incidência crescente entre os trabalhadores de países industrializados (Austrália, Japão, Estados Unidos, Suécia, entre outros).

No Brasil, somente a partir da década de 80 a LER passou a assumir relevância nas estatísticas sobre doenças profissionais, sendo que esse fato pode ser explicado, em parte, pela rápida absorção pelo nosso país das inovações tecnológicas, pela intensificação do ritmo de trabalho e pela importante atuação dos trabalhadores.

No Estado da Bahia, a partir da década de 90 a LER assume importância crescente nas estatísticas relativas à ocorrência de doenças profissionais, superando em incidência a surdez profissional e a intoxicação pelo benzeno.

Com base em dados do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e do Centro de Estudos de Saúde do Trabalhador (CESAT/Bahia), estima-se que a LER é hoje responsável por pelo menos 2/3 das doenças profissionais diagnosticadas no Brasil e na Bahia.

No estudo de prevalência realizado pelos autores deste trabalho foi possível identificar, em maio de 1998, 1.014 trabalhadores afastados do trabalho e recebendo benefícios previdenciários por causa de LER na Região Metropolitana de Salvador, Bahia. Deste total de trabalhadores portadores de LER, 80,9% eram do sexo feminino, com a idade média de 38,7 anos. Entre as funções que mais provocaram LER destacaram-se, principalmente, caixas de banco, escriturários, auxiliares administrativos, caixas de supermercado, caixas de loja comercial, digitadores, atendentes de serviços, secretárias, telefonistas, operadores industriais e auxiliares de produção.

Embora existam em todo o mundo inúmeras abordagens das causas da LER, pode-se afirmar que alguns fatores causais estão hoje consensados e, entre eles destacam-se:

FATORES DE NATUREZA ERGONÔMICA: força excessiva, alta repetitividade de um mesmo padrão de movimento, posturas incorretas dos membros superiores, compressão das delicadas estruturas dos membros superiores, frio, vibração, postura estática, entre outros;

FATORES DE NATUREZA ORGANIZACIONAL: concentração de movimentos numa mesma pessoa, horas extraordinárias, dobras de turno, ritmo apertado de trabalho, ausência das pausas necessárias, entre outros;

FATORES DE NATUREZA PSICOSSOCIAL: pressão excessiva para os resultados, ambiente excessivamente tenso, problemas de relacionamento interpessoal, rigidez excessiva no sistema de trabalho, entre outros.

O diagnóstico objetivo da LER nem sempre é fácil pois, é essencialmente clínico e, baseia-se na anamnese ocupacional, nos exames complementares e na análise das condições de trabalho. A dor é o principal sintoma e, costuma iniciar gradualmente por uma região anatômica (punho, cotovelo e ombro) mas acaba atingindo todo o membro superior. Os dados obtidos, na maioria das vezes, limitam-se àqueles informados pelos trabalhadores durante a anamnese ocupacional pois, os resultados dos exames físicos são geralmente inconclusivos e os exames complementares também não conseguem elucidar de maneira segura todas as situações.

A conduta médico-administrativa é um dos aspectos mais críticos da atuação do médico do trabalho diante da questão das lesões de membros superiores de natureza ocupacional. Entre os objetivos principais está atender a queixa de dor ou desconforto em membro superior o mais precocemente possível, evitando que o trabalhador tenha agravamento ou cronificação de seu quadro. É importante, também, garantir o retorno do trabalhador afastado, de preferência à mesma função, desde que os fatores que ocasionaram o desencadeamento da dor tenham sido resolvidos.

No âmbito da empresa, diante de um trabalhador com queixa de dor ou desconforto em membros superiores, alguns procedimentos são considerados essenciais e podem ser assim sumarizados:

1. Adoção de um protocolo para padronizar a conduta médico-administrativa;

2. Montagem de uma equipe assistencial multiprofissional;

3. Entrosamento eficiente do serviço médico da empresa com o Instituto                         Nacional   de Seguro Social (INSS);

4. Criação de um "Comitê Local de Ergonomia";

5. Realização de um "Levantamento Ergonômico".

Os autores deste trabalho realizaram a análise ergonômica de 100 (cem) postos de trabalho utilizando um questionário padrão ("Checklist"). Na maioria dos postos de trabalho avaliados foi possível evidenciar alguns fatores causais de lesões por esforços repetitivos, sendo que esses fatores puderam ser classificados como de natureza organizacional, ergonômica ou psicossocial.

Em relação aos fatores organizacionais, destacaram-se a ausência de pausas durante a jornada de trabalho, a freqüência excessiva de horas extraordinárias e a exigência de produtividade. Entre os fatores de natureza ergonômica foi possível ressaltar a falta de flexibilidade postural (sentado/em pé), a ausência de revezamento nas tarefas, o contato da mão ou punho com quina viva do mobiliário e, a ocorrência de movimentos repetitivos, especialmente os de flexão/extensão do punho, de desvio lateral do punho e de elevação dos braços ou abdução dos ombros. Inúmeros fatores antiergonômicos foram constatados também na avaliação de cadeiras, mesas, terminais ou computadores e, das condições ambientais de trabalho. Quanto aos fatores de natureza psicossocial, apesar das evidentes dificuldades em sua avaliação, destacaram-se a existência de excesso de pressão por parte das chefias e as dificuldades nos relacionamentos interpessoais entre os próprios trabalhadores.

Em síntese, pode se afirmar que a prevenção da LER baseia-se em estudos para a análise ergonômica do trabalho e na adoção de medidas para eliminar os riscos ergonômicos.

Em relação à análise ergonômica do trabalho, é essencial a recomposição do processo de trabalho e o estudo da maneira como se organiza, sendo muito importante a participação direta dos trabalhadores que vivenciam o cotidiano do trabalho. Recomenda-se analisar alguns aspectos básicos da organização do trabalho como duração da jornada, conteúdo da tarefa, pausa durante a jornada, o ritmo do trabalho e, a exigência ou não da produtividade. Em seguida, passa-se a análise dos aspectos do ambiente de trabalho, ressaltando o posto de trabalho, aí incluídos mobiliário, equipamentos e ferramentas. Além disso, é recomendável estudar se as condições ambientais de iluminação, temperatura efetiva, ventilação, umidade e ruído são compatíveis com a tarefa executada.

Em conclusão, a LER representa não só uma doença mas um fenômeno social, com repercussões importantes tanto na esfera social como na de relações do trabalho. A prevenção é a principal medida que qualquer empresa pode adotar em relação às lesões por esforços repetitivos e consiste basicamente da correção, no trabalho, dos fatores antiergonômicos que podem ser capazes de desencadear uma lesão.

 

 

 

 

 

 

CHECK-LIST / LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS-LER

 

                                                                                      DATA:                          Nº:

 

EMPRESA

1. RAZÃO SOCIAL:                                                                                                               CNPJ:

2. RAMO:                                                                     CNAE:                                                  N.J:

ENDEREÇO:

Nº DE TRAB.:                              TOTAL:                       HOMENS:                      MULHERES:                      MENORES:

Nº DE TRAB. COM LER:

POSTOS DE TRABALHO ATINGIDOS:

 

_________________________________________________________________________________

_________________________________________________________________________________

TRABALHADOR LESIONADO

3. NOME:

4. SEXO:

5. IDADE:

6. FUNÇÃO:

7. DIAGNÓSTICO:                                                                                                          DATA DIAGN:

SITUAÇÃO ATUAL NO TRABALHO:

_________________________________________________________________________________

 

ANÁLISE ERGONÔMICA

 

AVALIAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

SIM NÃO
EXIGÊNCIAS DE TRABALHO EXCESSIVAMENTE COMPLEXAS EM RELAÇÃO À HABILITAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS?    
EXIGÊNCIAS DE PRODUTIVIDADE?    
EXISTE PREMIO ADICIONAL POR PRODUTIVIDADE?    
JORNADA DIÁRIA DE TRABALHO EXCESSIVA? DURAÇÃO EM HORAS:    
EXISTE PAUSA DURANTE A JORNADA DE TRABALHO?    
EXISTE HORAS EXTRAS?    
EXISTE TRABALHO NOTURNO?    

EXISTE TRABALHO DE TURNO?

   
EXISTE EXCESSO DE PRESSÃO DAS CHEFIAS?    
EXISTE DIFICULDADES NOS RELACIONAMENTOS INTERPESSOAIS?    
EXISTE MOVIMENTOS REPETITIVOS?    
HÁ RODIZIO (REVEZAMENTO) NAS TAREFAS?    
EXISTE CONTATO DA MÃO OU PUNHO OU TECIDOS MOLES COM ALGUMA QUINA VIVA DE OBJETO OU FERRAMENTA?    
O TRABALHO EXIGE O USO DE FERRAMENTAS VIBRATÓRIAS?    
O TRABALHO É REALIZADO EM PÉ?    
O TRABALHO É REALIZADO SENTADO?    
O TRABALHO É REALIZADO ALTERNADO (EM PÉ/SENTADO)?    
O TRABALHADOR TEM FLEXIBILIDADE NA SUA POSTURA DURANTE A JORNADA?    
NO CASO DE TRABALHO EM PÉ, EXISTEM ASSENTOS PARA DESCANSO   DURANTE AS PAUSAS?    
O TRABALHO EXIGE POSTURAS FORÇADAS DOS MEMBROS SUPERIORES?    
O TRABALHO EXIGE MUITA FORÇA COM AS MÃOS?    
FLEXÃO OU EXTENSÃO DO PUNHO?    
DESVIO LATERAL DO PUNHO?    
ELEVAÇÃO DOS BRAÇOS OU ABDUÇÃO DOS OMBROS?    
CABEÇA EXCESSIVAMENTE ESTENDIDA?    
CABEÇA EXCESSIVAMENTE FLETIDA?    
COMPRESSÃO DIGITAL FAZENDO FORÇA?    
OUTRAS COMPRESSÕES?  QUAL?    

AVALIAÇÃO DA CADEIRA

SIM NÃO
CADEIRA ESTOFADA?    
ALTURA REGULÁVEL?    
DIMENSÃO ANTERO-POSTERIOR DO ASSENTO ADEQUADA?    
LARGURA DA CADEIRA DE DIMENSÃO CORRETA?    
BORDA ANTERIOR DO ASSENTO ARREDONDADA?    
ASSENTO NA POSIÇÃO HORIZONTAL?    
APOIO DORSAL FORNECE UM SUPORTE FIRME?    
CADEIRA GIRATÓRIA?    
EXISTEM RODÍZIOS?    
OS BRAÇOS DA CADEIRA PREJUDICAM A APROXIMAÇÃO DO TRABALHADOR ATÉ SEU POSTO DE TRABALHO?    
OS PÉS ESTÃO SEMPRE APOIADOS?    

AVALIAÇÃO DAS MESAS

SIM NÃO
ALTURA APROPRIADA?    
DIMENSÕES APROPRIADAS?    
BORDA ANTERIOR DA MESA ARREDONDADA?    
ACESSÓRIOS (TELEFONE, MÁQUINAS, ETC) DENTRO DA ÁREA DE ALCANCE?    
GAVETAS LEVES?    
MESA DE DATILOGRAFIA MAIS BAIXA?    

AVALIAÇÃO DO TERMINAL OU COMPUTADOR

SIM NÃO
Nº DE TOQUES POR HORA É MAIOR QUE 8.000?    
O MONITOR É MÓVEL?    
A POSIÇÃO DO MONITOR DE VIDEO ESTÁ NA HORIZONTAL DOS OLHOS?    
A TELA DO MONITOR DE VÍDEO ESTÁ PERPENDICULAR À JANELA?    
EXISTEM REFLEXOS NA TELA?    
A TELA POSSUE BOM PADRÃO DE LEGIBILIDADE?    
A DISTÂNCIA OLHOS DO USUÁRIO/TELA É ENTRE 45-70 CM?    
AS DISTÂNCIAS OLHO-TELA, OLHO-TECLADO E OLHO-DOCUMENTO SÃO IGUAIS?    
OS BRAÇOS DO USUÁRIO TRABALHAM NA VERTICAL?(ÂNGULO DE 70-80 GRAUS)    
OS ANTEBRAÇOS DO USUÁRIO TRABALHAM NA HORIZONTAL?    
OS PUNHOS TRABALHAM APOIADOS?    
NA POSIÇÃO SENTADO, O ÂNGULO TRONCO-COXAS É DE CERCA DE 100 GRAUS?    
TECLADO É DESTACÁVEL DA UNIDADE DE VÍDEO?    
TECLADO TEM SUPORTE PRÓPRIO?    
A ALTURA DO SUPORTE DO TECLADO É REGULÁVEL?    
NO SUPORTE DO TECLADO CABE O MOUSE?    
EXISTE SUPORTE PARA OS DOCUMENTOS-FONTE?    
A ALTURA, DISTANCIA E ÂNGULO DO SUPORTE PARA DOCUMENTOS PODE SER AJUSTADO?    

AVALIAÇÃO DA LINHA DE PRODUÇÃO

SIM NÃO
EXISTE UMA PAUSA NATURAL ENTRE O FINAL DE UM CICLO E O INICIO DO CICLO SEGUINTE?    
É NECESSÁRIO FAZER ALGUMA MONTAGEM ESTANDO A PEÇA EM MOVIMENTO?    
É POSSÍVEL À SUPERVISÃO FAZER ALGUM TIPO DE REGULAGEM NA VELOCIDADE DA ESTEIRA ALÉM DE 30% DA VELOCIDADE-PADRÃO?    
É POSSÍVEL AO TRABALHADOR SAIR DO SEU POSTO PARA NECESSIDADES FISIOLÓGICAS?    
HÁ ALGUMA POSIÇÃO COM O TEMPO ESTRANGULADO?    
EXISTE UM ESQUEMA ALTERNATIVO PREVISTO EM TERMOS DE RITMO DA LINHA QUANDO OCORRER A FALTA DE UMA OU MAIS PESSOAS?    
EXISTE REVEZAMENTO DAS PESSOAS EM DIVERSAS POSIÇÕES DA LINHA?    
OS MEMBROS SUPERIORES TÊM QUE SUSTENTAR PESOS?    
OS BRAÇOS TÊM QUE FAZER ALGUM MOVIMENTO ACIMA DO NÍVEL DOS OMBROS?    
OS OBJETOS E MATERIAIS DE USO FREQUENTE ESTÃO DENTRO DA ÁREA DE ALCANCE?    
AS PEÇAS (COMPONENTES A SEREM MOVIMENTADOS) ESTÃO EM LOCAIS QUE EXIGEM POSTURA FORÇADA?    
FICA-SE DE PÉ, PARADO, DURANTE A MAIOR PARTE DA JORNADA?    
ESTANDO DE PÉ, APERTA-SE PEDAL NUMA FREQUÊNCIA MAIOR QUE 3 VEZES POR MINUTO?    

NO CASO DE TRABALHO SENTADO                                         (NA LINHA DE PRODUÇÃO)

SIM NÃO
ESTANDO SENTADO, FICA-SE EM POSIÇÃO ESTÁTICA?    
A CADEIRA É ADEQUADA?    
A CADEIRA ESTÁ PRÓXIMA À BANCADA?    
HÁ APOIO PARA OS PÉS?    
A POSTURA DO TRONCO EM RELAÇÃO À ESTEIRA É FORÇADA?    
HÁ ESPAÇO SUFICIENTE PARA AS PERNAS?    
O TRABALHADOR TEM QUE SE AFASTAR DO EIXO VERTICAL NATURAL OU TEM QUE SE DESENCOSTAR DA CADEIRA PARA BUSCAR A PEÇA NA ESTEIRA?    
A ALTURA DA BANCADA É COMPATÍVEL COM AS MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS DO OPERADOR?    
EXISTE UMA ADEQUAÇÃO BIOMECÂNICA GERAL?(PESSOAS ALTAS EM POSIÇÕES ALTAS)    
EXISTE ESPAÇO PARA A MOVIMENTAÇÃO DO OPERADOR?    
O ESPAÇO ENTRE UM MONTADOR E OUTRO É SUFICIENTE?    
O ESPAÇO PARA MOVIMENTAÇÃO DAS PEÇAS É SUFICIENTE?    
HÁ ESPAÇO PARA A COLOCAÇÃO DE PEÇAS REFUGADAS?    
É POSSÍVEL AO TRABALHADOR SINALIZAR A DIMINUIÇÃO EM NÍVEIS CRÍTICOS DE MATERIAL SOBRE SUA BANCADA?    
É POSSÍVEL AO TRABALHADOR DEIXAR DE LADO, REJEITAR OU SIMPLESMENTE NÃO TRABALHAR UMA PEÇA OU NÃO FAZER SUA OPERAÇÃO QUANDO NÃO TIVER TIDO O TEMPO NECESSÁRIO OU QUANDO TIVER ENCONTRADO ALGUM GRAU DE DIFICULDADE?    

AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS

SIM NÃO
A TEMPERATURA EFETIVA DO AMBIENTE ESTÁ ENTRE 20 E 23 GRAUS?    MEDIÇÃO:    
A UMIDADE RELATIVA DO AR É ACEITÁVEL (ACIMA DE 40%)?    MEDIÇÃO:    
A CIRCULAÇÃO DO AR OCORRE DE FORMA SUFICIENTE? (NÃO-SUPERIOR A 0,75 METROS/SEGUNDO)  MEDIÇÃO:    
A ILUMINAÇÃO É SUFICIENTE (ENTRE 450-550 LUX)? MEDIÇÃO:    
NÍVEL DE RUÍDO É MENOR QUE 65 dB(A)?  MEDIÇÃO:    

RECOMENDAÇÕES: 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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